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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

"Um projeto de resgate da história"



O Projeto Consciência, Cor e Arte foi desenvolvido pela Escola Milton Pessoa, localizada na zona rural da cidade de Triunfo, Sertão do estado de Pernambuco, e implantado em duas comunidades quilombolas do entorno escolar, a saber: Águas Claras e Livramento. O projeto surge com o objetivo de resgatar/desenvolver, nos jovens, o sentimento de empatia pela história e pela cultura de suas comunidades, buscando que os mesmos se autorreconheçam enquanto negros, através da valorização de sua identidade quilombola.

A motivação inicial para elaboração do projeto surge após relatos de alunos advindos dessas comunidades sobre xingamentos de cunho racista que vinham sendo praticados no caminho para escola entre alguns dos jovens dessas localidades. Nesse sentido, esses alunos procuram os professores e, juntos, pensaram saídas para este problema. É neste momento que surge a ideia de um projeto.

No entanto, seria necessário que este fosse diferente dos demais para que se atingisse o objetivo. Sendo assim, definiu-se que o Projeto Consciência, Cor e Arte iria além dos portões da escola e suas atividades ocorreriam dentro das próprias comunidades, aos sábados. Além disso, foi dado aos alunos protagonismo e responsabilidades muito importantes para o desenvolvimento do projeto. Eles participaram desde a identificação da problemática a proposição de atividades, como também, no desenvolvimento efetivo das ações.

Ao colocar os próprios alunos para, junto com a escola, conduzirem o projeto objetivou-se cativar os jovens que não estavam engajados com a comunidade a participarem do projeto, facilitar a comunicação e mensurar o impacto de cada ação desenvolvida de maneira mais genuína.

Os jovens ficaram responsáveis pela panfletagem, pela organização do espaço e materiais, por ir em busca dos jovens e por repassar como estava sendo o desenvolvimento do projeto. Ao fim de cada oficina, cada participante escrevia ou falava o que tinha achado dela e o que gostaria que melhorasse. Assim, o projeto que surge a partir de uma problemática trazida pelos jovens, deu a eles o protagonismo necessário para que se sentissem autores e ativos em todo o processo.

As atividades ocorreram entre maio e novembro de 2018. Nesse período, oficinas de desenho, de cinematografia e de dança foram desenvolvidas, além disso, rodas de conversas com idosos e discussões sobre a realidade negra foram realizadas. Os resultados dessas atividades foram apresentados nas festividades da Consciência Negra de ambas as comunidades, por meio de apresentações de coreografias, mostra de desenhos e de dois curtas gravados nas duas comunidades pelos próprios jovens.

O projeto que esperava contar com 20 participantes, contou a participação de mais de 30 alunos durante os 7 meses de duração, surpreendendo a todos os evolvidos. Esses resultados mostram que a educação quando pensada pelos jovens, com os jovens e para os jovens tem frutos mais sólidos e exitosos. Através desse projeto, a escola quebrou a barreira do convencional e foi até onde o problema acontecia. A partir dessa experiência, suponho que seja este o caminho que a educação no Brasil deva seguir para, assim, poder realizar as transformações que ela é capaz de fazer.

Texto: Jeferson Pereira - Ativista pela educação e mestrando em economia, e coordenador do projeto.
Foto: Jéssica Freitas 

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