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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Jovens de Flores do sertão de pernambuco conclui curso de residencia agraria



Por Vinícius Sobreira (Brasil de Fato Pernambuco)
complemento Raimundo Bertino (Pajeú de Notícias) 

No último dia 18 de dezembro 41 jovens rurais se formaram no curso de Residência Agrária em Pernambuco, entre esses jovens estão duas jovens do município de Flores Uliane Silva de Poço Grande e Rafaela Borges de Matalotagem. As agricultoras e agricultores, moradores de 9 subregiões do estado, concluíram o 6º e último módulo do curso, que teve duração de 1 ano e 9 meses. O curso foi realizado pela Pastoral da Juventude Rural (PJR) e Rede GPR, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) e obteve apoio e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Rafaela Borges e Uliane Silva 
O curso é dividido em módulos presenciais, chamados de "tempo escola", que são alternados com as vivências em suas comunidades e sítios, o "tempo comunidade". No tempo escola os estudantes passam por formação política e técnica sobre agroecologia, gestão e economia popular e solidária. As facilitações se deram por meio de articulação com entidades e movimentos parceiros, como o Centro Agroecológico Sabiá, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o Levante Popular da Juventude. A carga horária total ultrapassa as 680 horas/aula, sendo 240 horas/aula teóricas e 440 horas/aula de atividades formativas comunitárias.
No tempo comunidade os jovens, com idade entre 15 e 25 anos, integram os chamados Grupos de Produção e Resistência (GPR), coletivos de jovens rurais que se organizam para superarem os desafios de produzir, comercializar e gerar renda, tendo em vista a permanência em suas comunidades. Os GPRs são constituídos sobre os pilares da agroecologia e da economia popular e solidária, buscando uma nova forma de produção no meio rural, sem exploração, garantindo a permanência do jovem no campo, tendo a defesa da terra como um direito e tendo como horizonte a construção de um Projeto Popular de Nação.
O estudante Rodrigo Silva, um dos formandos, acredita que o curso contribuiu para os jovens reconhecerem e valorizarem o conhecimento de seus ancestrais. "A Residência Agrária fortaleceu o conhecimento que nos foi trazido pelos nossos avós e bisavós, mas também ajudou a aprendermos mais sobre agroecologia e economia popular e solidária. Também aprendemos muito sobre políticas públicas para a juventude camponesa", lembrou. Para ele, o curso tem impacto direto nas suas comunidades rurais. "Quando compreendemos o que é agroecologia e economia solidária, começamos a colocar em prática nos nossos GPRs. Além disso há a interação com jovens de outras localidades, a troca de saberes e sabores, aprendemos que a realidade rural também é diversa".
A coordenadora nacional da PJR, Simone Zani, afirma que o curso de Residência Agrária foi fundamental para fortalecer os GPRs no interior do estado. "Foi um formato que deu muito certo. A pedagogia da alternância, focando na formação teórica com agroecologia, economia solidária e formação política, com a coordenação acompanhando o tempo comunidade durante esses quase dois anos, impulsionou a juventude. Temos GPRs produzindo e vendendo, conseguindo renda. Outros estão precisando melhorar a comercialização", diz. 
O curso, avalia Zani, faz a juventude enxergar sua comunidade de outra forma. "Eles passam a enxergar e pensar o campo como um lugar para se viver, com educação, saúde, moradia, transporte e lazer. Pensam a forma como se relacionam com a natureza, com o alimento e pensar formas de tirar o sustento para viver de maneira solidária, não pela competitividade, mas com cooperação. Não é só a permanência, mas pensar um projeto de sociedade", pontua.


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