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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

QUAL A COR DO PRECONCEITO NUM PAÍS QUE É COLORIDO

Ari Nóbrega é Teixeirense nascido em Patos, no carnaval de 95. Primeira poesia que viu foi a vida, quando um sopro da consciência empurrou-lhe para o mundo. Amante de história e da vida, do mundo e seus mistérios.









Nossa bandeira é manchada
Pelo sangue escravizado
D'um povo tão humilhado
 Por ter a cor odiada,
Cada dor, cada pancada
Tem se ouvido em seu gemido
 E um viver entristecido
A cor sofre, sem proveito
 Qual a cor do preconceito
Num país que é colorido?

Entre anos, gerações
Tem guardado a identidade
E escutado a liberdade
 Estremecer seus pulmões
Nos batuques das canções
Tem clamor efervescido
E um silêncio enfurecido
Todo dia fura o peito
Qual a cor do preconceito
 Num país que é colorido?

Tantas vozes se calaram
Carregando a confiança
Da descalça esperança
Que em pés negros caminharam,
Tantas lutas que acabaram
Em rios de sangue vendido
Tanto corpo é abatido
Nos postes do desrespeito,
Qual a cor do preconceito
Num país que é colorido?

Acabou a escravidão
 Mas só acabou o nome
Hoje em dia ainda a fome
Não tem dado o seu perdão
As chibatas do patrão
Tem mudado o apelido
"Desemprego"  oferecido
Para o negro sem direito
Qual a cor do preconceito
Num pais que é colorido?

Hoje o dia inda reflete
No espelho da memória
Revestindo a história
Do passado que repete
O preconceito comete
O mesmo crime atrevido
Mais moderno e diluído
Na liquidez do defeito
Qual a cor Do preconceito
Num pais que é colorido?

O homem negro traz a guerra
Em seu rastro ensanguentado
"Confundido", é maltratado
E o seu sangue jorra à terra,
Sua vida que se encerra
Quando o corpo é esquecido
Que em vida é repreendido
Quando nada inda tem feito
Qual a cor do preconceito
Num país que é colorido?

Os olhos da intolerância
Vê afronta em qualquer cor
O arco íris sendo amor
Vira cinzas de arrogância,
Em chutes de ignorância
É espancado e adormecido
O amor sempre é vencido
Onde o ódio é sempre eleito
Qual a cor do preconceito
Num país que é colorido?

Peço a luta e resistência
Na guerra contra injustiça
Pois nossa gente mestiça
Tem pedido com clemência.
Tem sangue da inocência
Nas mãos do "Bolsonarismo"
E no conservadorismo
Que estupra nosso direito
Pelo fim do preconceito
Peço um novo iluminismo

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